Eu sou dono e senhor de meu destino – Parte 2

Se

Se és capaz de manter a tua
calma quando todo o mundo
ao teu redor já a perdeu
e te culpa;
De crer em ti
quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto
achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar
sem te desesperares,
Ou, enganado,
não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado,
sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom
demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar
sem que a isso só te atires,
De sonhar
sem fazer dos sonhos
teus senhores.
Se encontrando a desgraça
e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma
a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer
a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades
que disseste,
E as coisas,
por que deste a vida,
estraçalhadas,
E refazê-las
com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar
numa única parada
Tudo quanto ganhaste
em toda a tua vida,
E perder e, ao perder,
sem nunca dizer nada,
Resignado,
tornar ao ponto de partida;
De forçar coração,
nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for
que neles ainda existe,
E a persistir assim quando,
exaustos, contudo
Resta a vontade em ti
que ainda ordena: “Persiste!”;

Se és capaz de,
entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis,
não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons,
quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser
de alguma utilidade,
E se és capaz de dar,
segundo por segundo,
Ao minuto fatal
todo o valor e brilho,
Tua é a terra
com tudo o que existe no mundo
E o que mais
tu serás um homem, ó meu filho!

Rudyard Kipling

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